Free Web Hosting Provider - Web Hosting - E-commerce - High Speed Internet - Free Web Page
Search the Web

Red Mundial de  Suicidiólogos 

Fundador: Prof. Dr. Sergio A. Pérez Barrero

Germany

 

 

SIM, o suicídio é, pelo menos parcialmente, geneticamente

 

Queridos colegas:

Uno de los objetivos de la red es la capacitacion de aquellas personas que pertenecen a la misma pero no tienen una formacion profesional o no han realizado investigaciones al respecto o revisado el tema a profundidad. Esa diversidad es la que enriquece a la red. Sin embargo es un imperativo etico que brindemos nuestros conocimientos a todos los miembros por igual sin distincion de quien es quien, pues a todos nos une un fin comun que es evitar esta causa de muerte.
Es por ello que les adjunto este capitulo de un libro que saldra editado proximamente en Brasil . El Prof. Dr Humberto Correa es un experto en la biologia del suicidio y esta realizando profundas investigaciones en la Universidad de Minas Gerais con respecto a la genetica del suicidio.

La traduccion al español la estoy realizando para enviarla a la red y que todos puedan leer el contenido de ese capitulo.

La proxima semana se enviara otra pregunta para debatir.

 

Afectos

Dr Sergio Perez

 

SIM, o suicídio é, pelo menos parcialmente, geneticamente determinado

Prof. Humberto Correa

Prof. Sergio Perez

 

Quando nos propomos a estudar se um determinado transtorno ou comportamento pode ser causado, pelo menos parcialmente, por um gene temos dois tipos de abordagens principais que podem ser didaticamente divididos em: epidemiológicos e moleculares. Os estudos epidemiológicos vão nos fornecer as primeiras informações e, se esses dados mostrarem que os genes podem desempenhar um papel importante na etiologia do distúrbio em questão, temos justificativa para prosseguirmos as investigações com os estudos de genética molecular, normalmente mais sofisticados e dispendiosos.

Os estudos ditos epidemiológicos podem ser construídos de varias maneiras diferentes, cada qual com seus pontos fortes e limitações, e que vão nos dar fornecer distintas informações. Basicamente os estudos de genética epidemiológica seguem três “designs” principais: O estudos familiares, que vão nos ajudar a responder à questão:- O suicídio se transmite em famílias? Os estudos com gêmeos, que vão responder:- Os genes, o ambiente, ou uma combinação dos dois causam o suicídio? E, finalmente, os estudos de adoção que vai nos dar resposta à seguinte questão:- A transmissão familiar do suicídio deve ser atribuída a um gene ou ao meio psicossocial da família?

 

1- Estudos familiares

Conhecemos famílias em que vários membros se suicidaram ao longo das gerações. A família do escritor Ernest Hemingway nos fornece um triste exemplo. Ele suicidou-se em 1961. Antes dele o seu pai e a irmã haviam se suicidado e, depois, em 1982 suicidou-se o irmão e, em 1992, a sobrinha Margaux Hemingway. Esse e outros exemplos conhecidos de famílias onde vários membros se suicidaram são, entretanto, insuficientes para podermos demonstrar se uma alta agregação de suicídios nessas famílias tem como causa um gene. Para isso temos que lançar mão de vários estudos diferentes sendo os chamados estudos familiares aqueles normalmente realizados no inicio desse tipo de investigação.

Os estudos familiares têm como objetivo principal responder à seguinte questão:- O suicídio se agrega em determinadas famílias? Se os genes são importantes na etiologia do suicídio é lógico supor então que os parentes de um suicida deverão ter um comportamento suicida em freqüência superior àquela encontrada na população geral. Embora, entretanto, a agregação familiar possa ser facilmente demonstrada nos estudos familiares, a transmissão é, geralmente, apenas inferida. A transmissão do comportamento suicida poderia ser devida, por exemplo, a outros fatores como, por exemplo, uma imitação do comportamento suicida dos pais ou uma maior permissividade deste ato em determinadas famílias, o que falaria mais em favor de influência psicológica ou ambiental do que genética. Além disso, ao estudarmos o comportamento suicida, temos ainda um fator de confusão importante que precisa ser levado em consideração. Nós sabemos que os pacientes que tentam ou morrem devido ao suicídio têm quase sempre um transtorno psiquiátrico. Sabemos também que muitos desses transtornos apresentam uma bem conhecida transmissão familiar. Ora, a pergunta que podemos fazer é:- o suicídio é mais freqüente nas famílias de suicidas porque as doenças psiquiátricas são mais freqüentes ou o comportamento suicida tem transmissão independente da doença psiquiátrica?

O estudo Brent

Brent e colaboradores, 1996, realizaram um estudo bastante ilustrativo. Vamos aos detalhes. Os familiares de primeiro (n=203) e segundo grau (n=607) de 58 adolescentes que se suicidaram no oeste da Pensilvania foram comparados aos 207 familiares de primeiro e 589 familiares de segundo grau de 55 adolescentes controles escolhidos aleatoriamente na comunidade. Todos foram avaliados com uma entrevista estruturada para diagnóstico de eixo I pelo DSM-III ou eixo II pelo DSM-III-R. Os autores acharam uma maior taxa de tentativas de suicídio nos parentes dos adolescentes suicidas do que nos parentes dos adolescentes controles, mesmo após controlar tais dados para diferenças nas taxas de desordens psiquiátricas de eixo I ou II. Trata-se de estudo interessante por ter um grupo controle, ou seja é um estudo caso-controle e terem sido os participantes diretamente avaliados com relação ao diagnóstico psiquiátrico e historia de suicídio com entrevistas estruturadas. Esse estudo permitiu a demonstração da agregação de tentativas de suicídio nas famílias de adolescentes suicidas e mostrou ainda que esta agregação era independente da maior taxa de distúrbios psiquiátricos de eixo I ou II nesses parentes.

O estudo Egeland and Sussex (1985)

Esse é um trabalho muito interessante por permitir o estudo do suicídio em um ambiente que podemos chamar de “controlado”. Os Amish são um grupo pacifista surgido ha mais de 300 anos a partir dos Anabatistas. Desde o século 18 não ha registros de assassinatos ou outros atos criminais e há, nessa comunidade, pouquíssimo uso de álcool ou outras drogas. Além disso existe entre os Amish um alto grau de coesão social e esses fortes laços entre seus indivíduos tornam situações como desemprego, separações conjugais e isolamento dos idosos praticamente desconhecidos nessa comunidade. Esse conjunto de fatores faz com que alguns fatores de risco tradicionalmente associados ao suicídio como isolamento social, divorcio, desemprego, alcoolismo sejam praticamente inexistentes nessa comunidade. Finalmente o suicídio é altamente reprimido e segundo Egeland e Sussex é referido pelos Amish como “the abominable sin” ou “that awful deed”. Nessas condições podemos hipotetisar que os fatores genéticos devem desempenhar papel importante entre os suicidas dessa comunidade.

Pois bem, todos os suicídios ocorridos nessa comunidade em um período de 100 anos foram estudados. Para se chegar aos casos de suicídio os pesquisadores usaram múltiplas fontes de dados como registros de óbitos e informantes, que pesquisaram abundantemente os detalhes dos suicídios ocorridos, em todos os distritos Amish.

Uma historia psiquiátrica de todos os suicidas foi obtida usando-se o Schedulle for Affective Disorder and Schizophrenia- Lifetime Version (SADS-L). Para se chegar a esse diagnóstico uma media de 6 pessoas próximas ao suicida foi contatada como esposa, pais, irmãos, filhos ou amigos íntimos  usando-se múltiplos entrevistadores cegos em relação ao parentesco. Os resultados mostram que 24 dos 26 suicidas tinham uma diagnóstico de transtorno afetivo maior sendo 8 bipolares de tipo I, 4 bipolares de tipo II e 12 pacientes com transtorno depressivo maior. Os dois outros suicidas tiveram um diagnóstico de psiquiatricamente doentes, desordem não especificada. Outro achado interessante foi o modo como os suicídios entre os Amish se agruparam em algumas poucas famílias já que apenas quatro famílias agrupavam 16 dos 26 suicídios (73%). Também se observou nessas famílias alta agregação de doenças afetivas. Cerca de 29% dos cerca de 110 parentes em primeiro grau dos suicidas que tinham um diagnóstico de transtorno bipolar (n=8) também tinham um tanstorno afetivo comparados aos cerca de 1.2% observado na população Amish como um todo. Entretanto, o cálculo desta freqüência para 170 parentes em primeiro grau de bipolares tipo I que não haviam cometido suicídio mostra uma taxa comparável de 20%.

O estudo mostra claramente um risco aumentado de suicídio em pacientes com diagnóstico de transtorno afetivo assim como uma forte historia familiar de suicídio. Entre os Amish os suicídios se agregaram em famílias com transtornos afetivos mas o contrário não é verdadeiro, ou seja, nem todas as famílias que tinham uma pesada agregação para transtorno afetivo vão ter uma agregação para o suicídio sugerindo que doença afetiva e suicídio podem se agregar nas famílias através de mecanismos distintos.

 

 

2- Estudos com Gêmeos

O primeiro relato que se tem notícia foi feito pelo Dr. Stephens Willians em 1912 (citado por Loewerberg em 1941). Ele descreveu dois gêmeos, supostamente homozigotos, que eram ambos capitães do exército americano. Pois bem, por muitos anos viveram separados, um em Vermont outro em Springfield, até que em um curto intervalo de tempo ambos cometeram suicídio cortando suas gargantas. Willians observou ainda em seu relato que tanto a mãe quanto dois irmãos apresentavam sinais de distúrbio mental e que também os gêmeos, antes do suicídio apresentaram sinais de “melancolia”.

As semelhanças entre dois parentes pode ser atribuída a dois fatores principais, ambiente compartilhado e genes compartilhados. Um objetivo importante na genética psiquiátrica é determinar em que medida a agregação familiar para o suicídio resulta de mecanismos ambientais X genéticos. A gemelologia, enquanto ciência, foi Inaugurada por Galton em 1815 como forma de distinguir a influência de fatores culturais da hereditariedade dos fatores genéticos. A ocorrência da gemelaridade nos fornece um poderoso experimento natural de genética humana. Como sabemos, os gêmeos monozigotos têm entre si uma concordância de 100% do material genético enquanto que os dizigotos, como entre dois irmãos, têm concordância de 50%. Partindo-se do princípio de que gêmeos, monozigotos e os dizigotos, sofrem influências ambientais semelhantes, espera-se que, se genes causam uma determinada desordem, que ela seja mais frequente em ambos gêmeos monozigotos do que em ambos os dizigotos. Essa afirmação tem obviamente muitos questionamentos e diversos estudos têm mostrado que medições do ambiente social (tais como compartilhamento de amigos e atitudes dos pais) seriam maiores entre os monozigotos do que entre os dizigotos. Embora a semelhança do ambiente possa tornar os gêmeos monozigotos mais similares ainda, também é plausivel que ao se comportarem de modo similar os gêmeos monozigotos busquem ou criem ambientes similares para si mesmos. Essas duas hipóteses alternativas têm sido sujeitadas à avaliaço empírica em diversos estudos, e quase todos sugerem que a similaridade ambiental dos gêmeos monozigotos é o resultado e não a causa de sua similaridade comportamental. Evidências atuais apóiam a validade geral da suposição de ambiente igual em estudos de gêmeos.

Os primeiros estudos que se tem noticia foram feitos por Kallman e Anastacio (1947) e Kallman e col. (1949) com resultado negativo pois concluíram pela ausência de vulnerabilidade genética do suicídio já que não encontraram concordância em 11 pares de gêmeos monozigotos onde um deles havia suicidado. Estudos subseqüentes, entretanto, mostram resultados contrários aos de Kallman. Haberlandt em 1965 e 1967 estudou 149 gêmeos em que pelo menos um havia cometido suicídio. Ele observou que nove pares eram concodantes para o suicídio sendo todos monozigotos. Entre os 98 pares dizigotos não observou nenhuma concordância para o suicídio. Estudos posteriores vão confirmar esses dados e assim, Juel-Nielsen e Videbch, 1970, observaram uma concordância de suicídio de 22% (4/19) entre os monozigotos e de 0% (0/58) entre os dizigotos enquanto Roy e colaboradores em 1991, observaram uma significativa concordância de 11,3% entre os monozigotos (7/62) e de 1,8% (2/114) entre os gêmeos heterozigotos.

Em um estudo subseqüente Roy e colaboradores, em 1995, examinaram as tentativas de suicídio em 35 gêmeos sobreviventes cujo outro gêmeo havia se suicidado. Eles hipotetisaram que se fatores genéticos têm um papel importante na transmissão do comportamento suicida então significativamente mais gêmeos sobreviventes monozigotos do que gêmeos sobreviventes heterozigotos iriam tentar suicídio. Eles encontraram que 10 de um total de 26 gêmeos monozigotos sobreviventes já haviam tentado suicídio, mas nenhum dos 9 gêmeos heterozigotos sobreviventes haviam tentado.

Statham e cols., (1998) realizaram um enorme estudo na Austrália, com quase 3000 pares de gêmeos, e determinaram que 38% dos gêmeos  monozigóticos cometem suicídio e 0% dos dizigóticos. Se um irmão gêmeo, monozigótico, comete suicídio, o outro tem 17,5 vezes mais risco de também cometê-lo.

A concordância siginificativamente mais elevada entre os monozigotos do que entre os dizigotos, como mostrado na maioria dos estudos, é um argumento a favor da existência de uma vulnerabilidade genética para o comportamento suicida. Uma pergunta que resta é que as taxas observadas não são muito altas, o que sugere também que o comportamento suicida seja multifatorial, mesmo levando-se em conta que essas pequenas taxas devem também ser relativisadas ao se consideraras relativa raridade do evento suicida.

Estudos de adoção

Esse tipo de estudo tem como objetivo principal comparar as taxas de suicídio entre pais biológicos e pais adotivos de indivíduos adotados e que se suicidaram e são os mais poderosos instrumentos da genética epidemiológica para se distinguir os efeitos genéticos dos efeitos ambientais e familiares. Isso porque crianças adotadas muito precocemente em suas vidas têm uma relação genética com seus pais biológicos, mas uma quase total relação ambiental com seus parentes adotivos. Assim, se os genes são responsáveis pela transmissão familiar de uma desordem nós devemos observar uma transmissão dos pais para os filhos biológicos mas não dos pais para os filhos adotivos.

No que diz respeito ao comportamento suicida temos alguns estudos realizados a partir do registro de adoção de Copenhague. O primeiro estudo avaliou 56 adotados que se suicidaram e 57 adotados controles, pareados por idade e sexo. A prevalência de mortes por suicídio entre os parentes biológicos dos suicidas (12/269; 4,5%) foi significativamente maior do que a encontrada entre os parentes adotivos (0/147) assim como nos parentes biológiocs e adotivos dos controles (2/269; 0,7% e 0/150, respectivamente).

 

Conclusões

Quando lidamos com genética psiquiátrica e em particular com a genética do tão complexo comportamento suicida, nenhuma conclusão a respeito do papel dos genes e/ou do ambiente pode se basear em apenas um estudo ou em apenas um tipo de estudo de epidemiologia genética. Na realidade temos que analisar a convergência de dados oriundos de vários estudos de tipos diferentes, que, tomados em conjunto, com seus pontos fortes e limitações, nos forneçam a informação desejada. No seu conjunto, os dados de epidemiologia genética, sem descartar a multi causalidade e a importância dos fatores ambientais, nos mostram claramente que existe também uma influência genética no comportamento suicida. Entretanto qual, ou mais provavelmente, quais seriam os genes responsáveis esses estudos não nos respondem. Existem hoje várias evidências sobre o papel do sistema serotoninérgico no comportamento suicida e alguns genes como o do transportador de serotonina têm sido estudados, com resultados promissores.

 


Referências:

Brent D.A., Bridge J., Johnson B.A., Connolly J. (1996): Suicidal Behavior Runs in Families. A controlled Family Study of Adolescent Suicide Victims. Arch. Gen. Psychiatry 53, 1145-1152.

Brent DA, Perper JA, Moritz G et al.,. Familial risk factors for adolescent suicide: a case-control study. Acta Psychiatr Scand 1994; 89: 52-58.

Egeland J.A., Sussex J.N. (1985): Suicidal and Family Loading for Affective Disorders. JAMA 254, 915-918.

Farberow N, Simon M: Suicide in Los Angeles and Vienna: an intercultural study of two cities. Public Healthy Rep 1969; 84, 839-403.

Garfinkel B, Froese A, Hood J. Suicide attempts in children and adolescents. Am J Psychiatry 1983; 139: 1257-1262.

Haberdlandt W. (1965): Der suizid als genetisches problem (zwillings and familien analyse). Anthropol Anz. 29, 65-68.

Haberdlandt W. (1967): Aportacion a la genetica del suicide. Folia Clinica Int. 17, 319-322.

Juel-Nielsen N., Videbach T. (1970): A twin study of suicide. Acta Genet Med Gemellol. 19, 307-310.

Kallman F., Anastacio M. (1947): Twins study on the psychopathology of suicide. J. Nerv. Ment. Dis. 105: 40-55.

Kallman F., Deporte J., Deport E. et al. (1949): Suicide in twins and only children. Am. J. Hum. Genet. 2, 113-126.

 

Loewenberg R.D. (1941): Suicide in twins. A historical note. J Nerv Ment Dis. 93, 182-184.

Roy A, Segal N, Sarchiapone N. Attempt suicide suicide among living cotwins of twin suicide victims. Am. J. Psychiatry 1995; 152: 1075-1076.

Roy A., Segal N.L., Centerwall B.L., Robinette D. Suicide in twins. Arch Gen Psychiatry 1991; 48, 29-32.

Roy A. Family history of suicide. Arch Gen Psychiatry 1983; 40: 971-974.

Schulzinger R, Kety S, Rosenthal D et al.. A family study of suicide. In: Schou M, Sromgrem E eds. Origins, prevention and treatment of affective disorders. New York: Academic Press, 1979.

 

 

Volver
 

Página Principal

Red Mundial de Suicidiología

World Suicidology Net

Integrantes Red

Artículos

Curriculum Vitae

Historia

Comunidad/Foro 

Congresos - Cursos

Contáctenos

Teléfonos Prev Suic